A proposta deste espaço é trazer à baila alguns dos ambientes e momentos, onde historiadores, arqueólogos e outros profissionais que lidam com o passado sejam (ou, quem sabe, possam vir a ser) vozes atuantes. Desde a produção cinematográfica, passando pelo ensino em sala de aula até o desenvolvimento de políticas públicas, os profissionais da memória hoje se aproximam do tempo presente para dialogar com suas comunidades.
Tal perspectiva é recente, visto que, durante muito tempo, estes profissionais eram relacionados com temas antigos, totalmente desvinculados do presente e afastados do cidadão comum. Esta ideia ajudou a consolidar a visão de um profissional exótico, comprometido até a raiz de sua alma com uma busca incessante pelos tesouros do passado.
Este cenário, no entanto, mudou, a partir da segunda metade do século passado, com a exigência de tomada de posição frente aos vários movimentos sociais que pipocaram por todo o planeta. Cada vez mais, os profissionais da memória passaram a entrar nas discussões sobre o desenvolvimento nacional, a desigualdade social e outras temáticas de cunho político e cultural.
Nesse sentido, o caso dos estudos de impacto do patrimônio cultural talvez seja o exemplo maior. Em todo o mundo, nos processos de licenciamento ambiental, as portarias dos órgãos de preservação e vários outros dispositivos legais passaram a regular e a exigir que a avaliação de um profissional especializado antecedesse às atividades de construção. A preocupação com a perda dos registros simbólicos e materiais do passado, durante os empreendimentos, ganhou um respaldo jurídico, não se restringindo mais apenas às publicações científicas.
Neste novo contexto, historiadores, antropólogos, museólogos, entre outros profissionais, adquirem um novo status. Passam a ser considerados como estudiosos e articuladores do potencial comunicativo e reflexivo da memória, e não são mais meros depositários das informações e dos objetos do passado.
Seguindo esse mesmo caminho, podem ser mencionados outros objetivos: divulgar para o grande público algumas novidades do campo científico da área de humanas; aprofundar e discutir suas implicações para pesquisas futuras e para nossa sociedade; e, por fim, refletir sobre tudo aquilo que existe de construção social no processo de pesquisa.
Para dar cabo deste desafio e conseguir manter uma boa periodicidade de textos, publicarei reflexões sobre algumas informações e temas veiculados em jornais e revistas. Também serão compartilhadas entrevistas com pesquisadores e outros profissionais que atuem direta ou indiretamente com a proposta desta página virtual.
Sejam, assim, bem-vindos à bordo, caros passageiros. Saibam que a jornada será tortuosa e, neste caminho, há risco de tormentas. A possibilidade de rebelião também é um fatorde risco. Onde chegaremos ao final ? Prefiro deixar Sergio Endrigo responder:
la nave partirà
dove arriverà
questo non si sa
sarà come l'Arca di Noè
il cane il gatto io e te
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